Se você chegou até aqui, muito prazer.
Deixa eu tentar adivinhar uma coisa: talvez você também esteja cansada de abrir as redes sociais e dar de cara com aquela maternidade perfeita, editada, cheia de filtros e tons pastéis.
Aquela realidade em que os bebês parecem nunca chorar, as mães nunca perdem a paciência, os casamentos permanecem intactos e o pós-parto parece um comercial.
Eu também cansei disso.
E foi por isso que nasceu o Mães Além do Cordão.
Este espaço não é um manual de regras sobre como ser a “mãe perfeita”.
Muito pelo contrário.
Quero que ele seja um ponto de encontro. Uma conversa no fim da noite. Aquela mesa de cozinha em que a gente consegue sentar sem precisar fingir que está tudo bem e falar sobre as nuances da maternidade que nem sempre encontram espaço nas redes sociais.
Minha história — e por que o lado B importa
A minha jornada com a maternidade real começou no susto.
Eu conheci o avesso de tudo o que havia planejado quando vivi a experiência de ver meu filho sair do parto e seguir diretamente para uma UTI Neonatal.
Conheci o peso do colo vazio dentro de uma maternidade.
Conheci a rotina rítmica e exaustiva das bombinhas de extração de leite no lactário.
Conheci a culpa silenciosa de olhar para o próprio corpo e me perguntar se ele havia falhado.
Conheci o medo de tocar meu filho através das pequenas aberturas de uma incubadora e a sensação de estar tão perto e, ao mesmo tempo, separada por uma parede de acrílico.
Também conheci uma maternidade em que o primeiro colo precisou ser esperado.
E justamente por ter vivido essa espera aprendi que, dentro de uma UTI Neonatal, acontecimentos que parecem pequenos para quem está do lado de fora podem representar o mundo inteiro para uma mãe.
Um boletim estável.
Um pouquinho de leite.
Um monitor que toca menos.
Um dedo segurado.
E, finalmente, o peso do próprio filho nos braços.
Eu não atravessei tudo isso sozinha
No meio daquela tempestade, também conheci a força de uma parceria verdadeira.
Enquanto o chão desaparecia, meu casamento não ruiu. Ele se fortaleceu.
Encontrei no meu companheiro um pilar de cumplicidade para dividir boletins médicos, decisões, noites difíceis, burocracias, medo e esperança.
Aquela experiência também me ensinou a olhar para a paternidade de outra forma.
Nem sempre duas pessoas vivem a mesma dor da mesma maneira.
Nem sempre quem permanece em silêncio está sofrendo menos.
Por isso, o papel do pai, o relacionamento depois dos filhos e a reconstrução do casal também fazem parte das conversas deste blog.
A rede que segura quando nossas pernas falham
Eu também tive o privilégio de contar com uma rede de apoio.
Família.
Braços disponíveis.
Silêncio quando eu não queria conversar.
Presença quando eu precisava desabar.
No centro dessa rede estava a minha mãe.
Ela foi meu farol e meu porto seguro em dias muito escuros.
Um ano depois daquela tempestade na UTI, ela partiu.
E a maternidade ganhou uma nova camada para mim.
Passei a descobrir também o que significa ser uma mãe que precisa continuar caminhando sem a própria mãe ao seu lado.
É um assunto delicado, profundo e que também faz parte da história deste espaço.
Onde fica a mulher que existia antes?
A UTI Neonatal e todas as reviravoltas que vieram depois me marcaram profundamente.
Mas elas também me fizeram perceber uma pergunta ainda maior:
onde fica a mulher depois que nasce a mãe?
Quando um bebê nasce, parece que o mundo reorganiza nossa identidade.
De repente, as conversas são sobre fraldas, alimentação, sono, peso, consultas e desenvolvimento.
Mas e a mulher?
Onde ficam suas ambições profissionais?
Sua autoestima?
Sua sexualidade?
Seu casamento?
Seus hobbies?
Seus medos?
Seus sonhos?
Sua vontade de ficar sozinha durante cinco minutos sem sentir culpa?
É justamente aí que mora o Mães Além do Cordão.
O cordão umbilical físico é cortado no nascimento.
Mas esse corte inicia um processo emocional muito mais complexo.
Nasce um bebê.
Nasce uma mãe.
E a mulher que existia antes precisa encontrar espaço para continuar existindo dentro dessa nova vida.
Sobre o que conversamos por aqui
A UTI Neonatal ocupa um espaço especial no começo desta história porque foi onde grande parte da minha própria maternidade começou.
Por isso, este blog fala sobre temas como UTI Neonatal, internação, prematuridade, colo vazio, ordenha, amamentação, primeiro contato, papel do pai, relacionamento e rede de apoio.
Mas o Mães Além do Cordão não termina na porta do hospital.
Este espaço foi criado para crescer junto com quem chega até aqui.
Também vamos conversar sobre gravidez, parto, puerpério, solidão materna, culpa, carreira, home office, organização financeira familiar, casamento depois dos filhos, sexualidade, libido, autoestima, carga mental, luto, identidade e tantos outros desafios que aparecem quando a maternidade encontra a vida real.
Porque ser mãe é uma parte enorme da nossa identidade.
Mas não precisa significar o desaparecimento de todas as outras.
Experiência real e informação responsável
Uma parte importante deste blog nasce daquilo que eu vivi.
Quando eu contar uma experiência pessoal, quero que você saiba que está lendo a perspectiva de alguém que esteve ali.
Mas experiência pessoal e orientação profissional não são a mesma coisa.
O fato de algo ter acontecido comigo não significa que acontecerá exatamente da mesma maneira com você ou com seu bebê.
Por isso, conteúdos relacionados à saúde, gravidez, parto, amamentação, UTI Neonatal, puerpério ou desenvolvimento infantil têm caráter informativo e não substituem acompanhamento profissional individualizado.
Os protocolos também podem variar entre hospitais e equipes.
Aquilo que foi permitido, recomendado ou necessário durante a minha experiência pode ser diferente da conduta indicada para outra mãe ou outro bebê.
Nosso compromisso editorial
O Mães Além do Cordão existe, antes de tudo, para ser útil a pessoas reais.
Nosso compromisso é produzir conteúdos originais, claros e responsáveis, respeitar diferentes experiências de maternidade e diferenciar aquilo que é relato pessoal daquilo que é informação.
Também buscamos revisar conteúdos quando necessário, corrigir erros identificados e ser transparentes quando existir uma relação comercial.
Não quero transformar minha história em uma regra para a maternidade de outra mulher.
Quero transformá-la em uma ponte.
Como o blog se mantém
Produzir e manter um blog envolve custos.
Por isso, o Mães Além do Cordão pode gerar receita por meio de publicidade, incluindo Google AdSense, programas de afiliados e eventuais parcerias comerciais devidamente identificadas.
Isso significa que alguns conteúdos podem apresentar anúncios ou links pelos quais o blog recebe uma comissão.
Essas relações comerciais não devem determinar nossas opiniões editoriais.
Você pode encontrar mais detalhes na nossa página de Transparência.
Senta aqui. Você está entre amigas.
Talvez você esteja lendo este texto com seu filho dormindo no quarto ao lado.
Talvez esteja atravessando uma madrugada difícil de puerpério.
Talvez esteja tentando entender quem você se tornou depois de ter um bebê.
Ou talvez esteja sentada ao lado de uma incubadora, ouvindo alarmes que um dia também fizeram parte dos meus dias.
Onde quer que você esteja, espero que este espaço consiga fazer uma coisa por você:
diminuir um pouco a sensação de estar sozinha.
Aqui não é necessário fingir que maternidade é gratidão vinte e quatro horas por dia.
É possível amar profundamente um filho e estar cansada.
É possível sentir gratidão e medo ao mesmo tempo.
É possível precisar de ajuda.
É possível sentir falta da mulher que você era.
E é possível encontrar uma nova versão dela.
A nossa vida como mulheres vai muito, muito Além do Cordão.
Seja bem-vinda ao Mães Além do Cordão.
Contato
Se quiser entrar em contato, sugerir um tema ou apontar alguma informação que precise ser revista:
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E-mail: maesalemdocordao@gmail.com